O <em>Sol </em> do <em>Millenium</em>

Margarida Botelho
«O país esperava um jornal assim», afirmou há semanas atrás José António Saraiva, director do novo semanário “Sol”. Seria injusto da nossa parte avaliar o novo jornal apenas pelo seu primeiro número. Um jornal é um trabalho colectivo, que envolve centenas de profissionais – jornalistas, fotógrafos, administrativos, gráficos, distribuidores – apostados em fazer o mais sério e rigoroso jornal possível. Mas também é, mais do que nunca, um negócio e um instrumento da luta ideológica. O primeiro número deixa pistas sobre o que será o «Sol».
Num gesto que se quer de transparência, para sabermos todos a quem pertence o jornal que se tem nas mãos, o «Sol» publicou na sua revista um perfil de três dos principais proprietários do jornal. Ao que se sabe, este investimento é repartido em quatro partes iguais pelo Millenium BCP (que inclui como «bónus» o valioso edifício-sede do jornal, no Chiado), pela Comunicação Essencial Lda. (constituída pelos jornalistas fundadores), pela Imosider SGPS e pela JVC Holding SGPS. Se acerca das duas primeiras há pouco a acrescentar ao que os leitores do “Avante!” já conhecem, diga-se que a Imosider SGPS é uma grande empresa com interesses na área do aço e da construção civil e que a JVC é o império do empresário Joaquim Coimbra, com negócios nas áreas da indústria farmacêutica, do vinho, da metalurgia, do turismo e da banca. Joaquim Coimbra é também, segundo o site do seu partido, vogal da Comissão Política Nacional do PSD, cargo que o perfil do “Sol” se esqueceu se referir.
«O naipe de colunistas é o mais forte de todos os jornais», afirma José António Saraiva. Destacam-se Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Coutinho, Miguel Portas, Margarida Rebelo Pinto, Paulo Portas - a escrever sobre cinema e literatura. No que diz respeito à pluralidade de pontos de vista e à presença do PCP, estamos conversados – a menos que se guardem surpresas para as próximas edições.
E há uma observação que é irresistível fazer-se: na semana em que o PCP desenvolveu em todo o país uma campanha de defesa da segurança social, com propostas inovadoras para o seu reforço, o “Sol” referiu o PCP em duas frases na primeira página, numa breve a propósito do arranque dos trabalhos parlamentares, e só voltou a falar do Partido na 22ª página, titulando «Contas do PCP ilegais». Até a Nova Democracia de Manuel Monteiro mereceu mais...


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